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29 de maio de 2012

Gerações perdidas


A Unicef "diz" que mais de 27% das nossas crianças vivem em situação de carência económica, colocando Portugal no honroso 25º lugar de uma lista de 29 países europeus, ao lado da Letónia, Hungria, Bulgária e Roménia. 
Esta posição não me espanta, sobretudo num país onde as crianças que estão à guarda do Estado e da Igreja, são as que mais sofrem todo o tipo de sevícias. Tome-se como exemplo mais recente, o das 500 crianças da Casa Pia que serviram de cobaias durante 10 anos, em testes médicos financiados pelos Estados Unidos.
Para além do que poderia escrever acerca das insultuosas fortunas ilegalmente obtidas, e cujo dinheiro poderia muito bem servir para programas com vista a melhorar substancialmente a qualidade de vida dos petizes e não esquecendo as graves condições económicas que as "obrigam" a abandonarem a escola onde, supostamente, iriam aprender a serem adultos, lançando-as para uma vida de delinquência e abandono, apenas me fico por uma breve refexão: Que portugueses de futuro, pretendem os nossos governantes, que sejam as nossas crianças?

30 de maio de 2011

Jovens com futuro (já) hipotecado


Em tempos de crise, e são de crise os tempos actuais e os que se avizinham, são os socialmente mais vulneráveis que mais sofrem com as limitações, muitas vezes cegas, impostas por quem nos governa.
Apesar de ser consensual a necessidade de manter abertos os refeitórios das escolas durante o período de férias, essa decisão apenas socorre quem necessita por alguns momentos. Para além disso, durante os momentos de maior solidão, onde se calhar um carinho seria bastante mais necessário, é que ocorrem as maiores frustrações e, quiçá, a maior vontade de acabar com algo que, aos poucos, se vai transformando num fardo demasiado difícil de ser transportado.
Um estudo do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, revelou isso mesmo e muito mais. Para além dos factos já de todos conhecidos, prevê-se que as condições sejam cada vez mais precárias e, como consequência directa, será cada vez mais comum assistirmos a situações de abandono, seja escolar, seja familiar, que só poderá resultar em mais violência, mais prostituição e, em alguns casos, no aproveitamento dessas fragilidades, por parte de quem não tem escrúpulos e consegue ver nessa miséria, uma tentadora oportunidade de lucro.

9 de maio de 2011

Só pode ser da frustação




Enquanto andamos preocupados com aquilo que devemos aos outros e com a forma que temos que arranjar para lhes pagar, permitimos que as crianças, os idosos, e as mulheres, continuem a ser vítimas da loucura daqueles que com eles vivem e, no caso dos menores e dos idosos, daqueles que lhes deveriam dar mais carinho e afecto.
Era bom que a troika não se limitasse a disciplinar as finanças públicas e que fosse para além do valor do dinheiro, só que isso, bem sei, não se corrige com estes senhores, antes sim por uma comissão (mais uma) especialmente criada para o efeito, mas onde os seus membros não fossem designados por aqueles que até aqui têm supervisionado os serviços responsáveis pela vigilância dos cada vez mais frequentes desvios sociais, que normalmente acabam pior do que se não tivessem vigilância alguma.
Enquanto andamos preocupados com aquilo que devemos aos outros e com a forma que temos que arranjar para lhes pagar, permitimos que as crianças, os idosos, e as mulheres, continuem a ser vítimas da loucura daqueles que com eles vivem e, no caso dos menores e dos idosos, daqueles que lhes deveriam dar mais carinho e afecto. 

5 de fevereiro de 2011

Desta vez errou na dose


Foi a segunda vez que ouvi falar em adultos que administram calmantes às crianças para as manterem sossegadas. A primeira foi quando a menina Maddie, supostamente sob efeito de sedativos, desapareceu misteriosamente no Algarve. A segunda aconteceu hoje mesmo, quando alguém de uma creche em Lisboa, se lembrou de dar a 12 crianças comprimidos para adormecerem.
Duvido que tenha sido a primeira vez que tal palermice aconteceu, mas, admitindo que tenha sido um acidente, só espero que respeitem um pouco mais as crianças e não as  queiram transformar, tão depressa, em seres humanos insensíveis e alheios às coisas boas  da vida, que só uma criança consegue e deve ter.

4 de dezembro de 2010

Pobres mas com saúde


Um estudo realizado pela UNICEF, coloca as nossas crianças no grupo das mais carenciadas de um universo de 24 países analisados. As causas dessa pobreza estão na atribuição de subsídios pelo Estado que, apesar de serem poucos, ainda por cima são mal aplicados.
É caso para dizer que "de pequenino é que se torce o pepino" porque, nestas coisas da pobreza e das carências sociais, convém começar a habituar as crianças desde cedo, para quando forem adultos não estranharem a constante subida da carga fiscal, que obviamente só servirá para manter o escandaloso nível de vida daqueles que os governam. Por outro lado, esse mesmo estudo revela que as crianças portuguesas foram as que menos se queixaram de problemas de saúde, talvez porque  terem comido mais legumes e fruta, o que só prova que o talho e a peixaria estão cada vez mais inacessíveis ao bolso dos portugueses.

9 de junho de 2010

Crianças sem sexo


A felicidade tem destas coisas. De facto, independentemente dos preconceitos que ainda teimam em prevalecer e das inúmeras teorias acerca das consequências que uma relação homossexual pode provocar no desenvolvimento das crianças que fazem parte desse agregado familiar, um estudo recente permitiu concluir que os filhos de lésbicas são melhores na escola e menos agressivos. A pergunta que de imediato se nos coloca, prende-se com o facto de muitas vezes sermos assaltados pela dúvida de que as famílias compostas por casais do mesmo sexo, poderão influenciar negativamente o crescimento das crianças que à sua guarda se encontram. Porém, a julgar pelo estudo, não é líquido que assim seja, antes pelo contrário até. O que se conclui, isso sim, é que as crianças e os adolescentes nessas condições, são mais afectados pelas posições preconceituosas com que a sociedade, ou os sectores mais conservadores da sociedade, encaram aquelas relações, e não propriamente pelo ambiente familiar no qual se encontram inseridos. O segredo de uma infância ou adolescência feliz reside, não tanto a imagem, tantas vezes propositadamente distorcida, com que nos são apresentadas aquelas relações, mas mais na estabilidade emocional e familiar em que a criança cresce, independentemente do sexo daqueles que considera como pais. Basicamente, o importante é saber se a criança é amada, compreendida e respeitada. Se isso acontecer, não tenho dúvidas que se tornará num adulto muito mais responsável, feliz e tolerante.