7 de julho de 2019

Foi-se, mas ficou pelo que nos deixou



João Gilberto não foi apenas um extraordinário (e polémico) embaixador da música brasileira, foi aquele que mais terá contribuído para o surgimento, divulgação e reconhecimento da bossa nova, um género musical que mal se encaixava nos tumultuosos dias brasileiros, cujos protagonistas preferiam músicas mais subversivas. Estranho, por isso, que no dia da sua morte, Bolsonaro se tenha referido a ele como “uma pessoa conhecida” o que, convenhamos, vindo daquele alarve, até pode considerado um grande elogio.

Foto de Enrique Meneses Midiaty




25 de junho de 2019

A tentação...das tentações



Cada vez mais este governo está a cair em descrédito perante a opinião pública deste país! O dar muito a alguns e nada a outros, está a tornar-se numa prática que assusta aqueles que não têm a necessária capacidade de reivindicação.

Neste final de legislatura, o partido do governo, sabedor da angustiante espera que assombra os políticos do maior partido da oposição, não vai hesitar em "mandar às urtigas" o equilíbrio que tem mantido a nossa estabilidade política, económica e social, só para se manter no poder por mais alguns tempos e satisfazer o clientelismo que, também ele, tem andado artificialmente arredado das práticas comuns de quem governa.

Não quero acreditar que uma maioria absoluta possa ser a solução governativa para o futuro que se avizinha, até porque já se começa a notar alguma sobranceria, coisa que não de via desde que o "noivado" se começou a revelar.

Acredito que o Povo português saberá evitar que isso se repita, tão só porque não se esquecerá dos "amargos de boca" que elas lhe têm causado, e causarão se esse cenário se vier de novo a verificar.

28 de maio de 2018

É porque a coisa (ainda) não está assim tão má


A União Europeia decidiu declarar guerra ao plástico, já avançando até com algumas medidas que irão contribuir para diminuir a presença desse terrível produto da nossa sociedade, designadamente a substituição das cotonetes e dos práticos talheres e pratos de plástico, que tanto contribuem para a diminuição do consumo de água no nosso planeta, por outros que obriguem cada um de nós a diminuir a nossa pegada ecológica. Pergunto, se em vez de serem adotadas medidas que só poderão ter eficácia daqui a uns (largos) anos, porque não começarem a proibir desde já a fabricação desses produtos tão nefastos? Claro que isso não irá acontecer (não ao ritmo desejado), pois os efeitos na economia das empresas produtoras e consumidoras desse enorme pesadelo seria catastrófico, já para não falar das terríveis consequências que uma drástica "desabituação" da utilização do plástico provocaria nas nossas alegres, insignificantes e efémeras vidas. 
O mesmo acontece com os automóveis demasiado poluentes de que todos querem ver-se livres. Se fosse mesmo intenção dos governos encetar políticas ambientais que promovessem a aquisição de veículos que não poluíssem, então colocariam os automóveis elétricos ao preço dos automóveis movidos a combustíveis fosseis. 

27 de maio de 2018

Opções de vida


Obviamente que, em consciência, a decisão sobre prolongar, ou não, uma vida em sofrimento, apenas cabe ao sofredor consciente.

4 de novembro de 2017

Cidadão Polícia

O Big Brother tomou, definitivamente, conta nosso dia-a-dia!
A (triste) conclusão a que chegamos é que, se não fosse a emergência das redes sociais, o Estado não tinha capacidade para reagir às constantes ameaças que surgem contra a estabilidade do modelo que ele construiu para vivermos todos na melhor paz possível. Anda, por assim dizer, a "reboque" da indignação geral.

3 de dezembro de 2016

As amargas vantagens da ditadura


Digam o que disserem acerca de Fidel Castro, dúvidas não existirão de que ele foi um ditador. À custa dessa ditadura, conseguiu dar aos cubanos, que com ele quiseram ficar, ou não conseguiram fugir, um nível de escolaridade irrepreensível, um sistema de saúde invejável e uma sociedade em que todos se sentiam iguais. Mas tudo isso, como se prova, só se consegue quando aqueles que podiam contrariar todo esse "desenvolvimento", forem impiedosamente impedidos de manifestar a sua opinião e, dessa forma, contribuir para que fossem tomadas outras opções, as quais, na opinião de Fidel e dos seus indefectíveis seguidores, só iriam atrapalhar o processo.

2 de dezembro de 2016

30 de novembro de 2016

Restaurações sem ressentimentos



Não deixa de ser engraçado que, volvidos 376 anos sobre a Restauração da Independência, o Rei de Espanha tenha vindo a Portugal receber, não só honras de Estado, mas também a chave da cidade de Lisboa.

9 de maio de 2016

Tomara que não


Se daqui a pouco tempo quiserem ver o mundo de pernas para o ar, basta que os americanos, cuja cultura, em muitos casos, fica aquém do que seria de esperar para um povo tão evoluído, votem em Donald Trump. Se isso acontecer, o que eu não desejo, de imediato veremos os EUA a declarem guerra a tudo e todos aqueles que ousarem contrariá-los ou sequer pensarem em fazê-lo. Mas atenção, a ascensão de Trump (e de outros como ele) só demonstra que as democracias, tal como as concebemos, ainda não estão a salvo dos corruptos que as usam para (se) governarem em nome do povo que os elegeu. 

8 de maio de 2016

Só por ser chique


Os pais são livres de decidir o que pretendem dar aos seus filhos, seja em matéria de educação, seja em outra qualquer matéria, mas eu, como pai, não devo ser obrigado a pagar por duas vezes a escola das minhas filhas. Se existem pais que preferem colocar os filhos a estudar em instituições de ensino particular, onde existe oferta publica equivalente, então devem ser eles a suportar os custos dessa decisão e não pedir ao governo que, através dos impostos, lhes sustente o apetite.

17 de março de 2016

Quem diria...


O autor da frase “no Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai prá cadeia, quando um rico rouba, vira ministro”, já está no Palácio do Planalto.

16 de março de 2016

Costa o malabarista



António Costa é um dos mais exímios negociadores que até hoje conheci e, perdoem-me os que assim não pensam, o melhor político que alguma vez poderíamos ter tido. É que com ele, assistimos a uma verdadeira manifestação de democracia, coisa que já não víamos há já algum tempo no parlamento.

27 de fevereiro de 2016

Oposição pacificada



Quem quer que tenha sido o responsável pela morte de Nemtsov, o certo é que arranjou um excelente local de peregrinação.

26 de fevereiro de 2016

Não havia necessidade


Não me causa qualquer inquietação saber que as crianças abandonadas são adotadas por pessoas do mesmo sexo, pois considero que o amor, a dedicação e o carinho que ambas podem transmitir, são muito mais importantes do que a indiferença das instituições do Estado que as acolhem e ignoram. Mas também não sou insensato ao ponto de considerar que o tema não é polémico e que não causa alguma irritação e mau-estar, sobretudo junto de alguns setores da sociedade mais conservadora e mais ligada à religião. Porém, o facto de se conseguir ultrapassar a questão legalmente, não implica que os "vencedores" provoquem os "vencidos" a ponto de os afrontar com aquilo que para eles é o bem mais precioso.

19 de novembro de 2015

O preço


Neste mundo em que vivemos, quando alguém denuncia e critica os verdadeiros autores na nossa desgraça, arranja sempre uma horda de inimigos, com uma enorme vontade de o fazer desaparecer. Mas esse é o resultado da coragem, de quem chamou a si a responsabilidade de "iluminar" o caminho de uma sociedade quase perdida.

[foto]