Mostrar mensagens com a etiqueta casa pia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta casa pia. Mostrar todas as mensagens

29 de maio de 2012

Gerações perdidas


A Unicef "diz" que mais de 27% das nossas crianças vivem em situação de carência económica, colocando Portugal no honroso 25º lugar de uma lista de 29 países europeus, ao lado da Letónia, Hungria, Bulgária e Roménia. 
Esta posição não me espanta, sobretudo num país onde as crianças que estão à guarda do Estado e da Igreja, são as que mais sofrem todo o tipo de sevícias. Tome-se como exemplo mais recente, o das 500 crianças da Casa Pia que serviram de cobaias durante 10 anos, em testes médicos financiados pelos Estados Unidos.
Para além do que poderia escrever acerca das insultuosas fortunas ilegalmente obtidas, e cujo dinheiro poderia muito bem servir para programas com vista a melhorar substancialmente a qualidade de vida dos petizes e não esquecendo as graves condições económicas que as "obrigam" a abandonarem a escola onde, supostamente, iriam aprender a serem adultos, lançando-as para uma vida de delinquência e abandono, apenas me fico por uma breve refexão: Que portugueses de futuro, pretendem os nossos governantes, que sejam as nossas crianças?

9 de novembro de 2010

Engenharia processual


Uma dos critérios que poderá ser utilizado para classificar um bom (ou mau) advogado, é a capacidade que tem para detectar falhas no processado, as quais, poderão, ou não, significar  o fim ou o início de um processo, com todas as legais consequências.
Ora, experiente como é o Dr. Ricardo, conhecedor das falhas da justiça e dos erros que normalmente nela se cometem, tantas vezes motivados por situações alheias ao processo e que normalmente precipitam decisões, e não podendo, perante tão graves acusações, provar a inocência do seu cliente Carlos Cruz, viu-se sem grande margem de manobra e decidiu explorar, com toda a legitimidade diga-se, os erros ou lapsos que aconteceram, e que nunca deveriam ter acontecido a nível processual, no processo Casa Pia. Dessa forma pode sempre pedir a anulação do acórdão, independentemente da culpa dos arguidos, remetendo uma eventual decisão para as calendas gregas, quem sabe até à prescrição.

13 de setembro de 2010

Vítimas à vez

Finalmente foi disponibilizado aos srs advogados o acórdão do mais mediático processo judicial de sempre no nosso país. Mais uma vez, as televisões correram para o campus da justiça a fim de registarem a despedida do processo Casa Pia, da 1ª instância da justiça portuguesa. A partir de agora, os arguidos condenados vão continuar a sua cruzada, na tentativa de provar, perante os tribunais e a opinião pública, que as condenações que sofreram, constituem um dos maiores erros judiciários de que há memória no nosso país, ou uma ignomínia, como se atreveram a dizer alguns.
Nessa saga, vão gastar o que ainda têm para gastar na esperança de vir a receber a indemnização que, segundo eles, o Estado lhes tem que pagar pela condenação injusta que supostamente lhes foi infligida.
Nos próximos anos vai ser assim: De quando em vez os jornalistas lá mostrarão a fase em que encontra o processo, recolhem as declarações aparentemente encomendadas pelos arguidos e seus advogados.
Quanto às vítimas, a única certeza que tenho é que vão demorar muito para receber aquilo que o tribunal reconheceu como sendo delas por direito, sem deduzir as possíveis reduções que possam vir a resultar da apreciação feita pelos srs. magistrados dos tribunais superiores. Quanto aos arguidos, vão aguardar que, desta vez, a justiça portuguesa, cometa, contra o Estado de Direito, um erro judiciário semelhante àquele que dizem que cometeu contra eles e por via do qual, se dizem ter sido vítimas.