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3 de novembro de 2012

Morte anunciada, mais do que desejada

Revejo-me na posição assumida por Manuela Ferreira Leite, quando diz que a destruição da classe média é uma "ameaça tremenda à democracia". Ela sabe, como todos sabemos ou deveríamos saber, que sem uma classe esclarecida, capaz de enfrentar os ímpetos daqueles que apenas querem proteger os seus investimentos, é essencial ao bom funcionamento de uma sociedade, tão só porque é ela que alimenta o consumo e se esforça por manter uma posição social digna de interesse para a comunidade. É, por assim dizer, aquela que estabelece a "ponte" ou delimita a fronteira entre os que nada têm, e os que tudo fazem para assim os manterem.
Só não compreendo o motivo pelo qual, uma pessoa tão próxima de Cavaco Silva, não consegue fazer perceber ao presidente, que o caminho traçado por este governo não protege os interesses de um país completamente submisso ao jugo de uma fação da Europa que apenas nos olha como meros consumidores.

22 de julho de 2010

Um Passo atrás

Ainda nem sequer chegaram ao poder, se é que alguma vez lá chegarão, e já pretendem "marcar" a agenda política portuguesa. Eu sei que é difícil querer governar sem ter maioria e, ainda por cima, ser procurado apenas para servir de bengala ao poder instalado. Eu sei que o novo líder do maior partido da oposição tem ideias mais do que suficientes para colocar o país próximo dos lugares cimeiros do bom comportamento económico. Eu sei, e eles também sabem, que o povo está cansado de Sócrates e da sua governação, dos seus deslizes, dos seus avanços e recuos, mas também sei, e eles também sabem, que o povo português não admite sequer pensar que estará em risco, ainda que apenas no papel, a gratuitidade tendencial do serviço nacional de saúde e do ensino e, pior do que isso, se abrirá a porta ao despedimento "por dá cá aquela palha". Além disso, com a proposta de dissolução do parlamento e subsequente nomeação de primeiro-ministro, sem convocação de eleições, o proto-candidato a primeiro-ministro de Portugal, veio demonstrar que, apesar de aparentemente conciliador, será o delfim, não de Cavaco, mas da sua mais directa adversária política, ou seja, Manuela Ferreira Leite. 

31 de outubro de 2009

De mal a pior

Marcelo encontra-se assim, perante a necessidade de manter a promessa de que não será candidato a líder do PSD, nem que cristo desça à terra, e perante a necessidade de corresponder às expectativas de alguns sociais-democratas em vê-lo como líder de um partido que, estilhaçado com as sucessivas derrotas, tem a custo tentado digerir a falta de sucessores que se encaixem no perfil pretendido por Manuel Ferreira Leite .