Ainda nem sequer chegaram ao poder, se é que alguma vez lá chegarão, e já pretendem "marcar" a agenda política portuguesa. Eu sei que é difícil querer governar sem ter maioria e, ainda por cima, ser procurado apenas para servir de bengala ao poder instalado. Eu sei que o novo líder do maior partido da oposição tem ideias mais do que suficientes para colocar o país próximo dos lugares cimeiros do bom comportamento económico. Eu sei, e eles também sabem, que o povo está cansado de Sócrates e da sua governação, dos seus deslizes, dos seus avanços e recuos, mas também sei, e eles também sabem, que o povo português não admite sequer pensar que estará em risco, ainda que apenas no papel, a gratuitidade tendencial do serviço nacional de saúde e do ensino e, pior do que isso, se abrirá a porta ao despedimento "por dá cá aquela palha". Além disso, com a proposta de dissolução do parlamento e subsequente nomeação de primeiro-ministro, sem convocação de eleições, o proto-candidato a primeiro-ministro de Portugal, veio demonstrar que, apesar de aparentemente conciliador, será o delfim, não de Cavaco, mas da sua mais directa adversária política, ou seja, Manuela Ferreira Leite.

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