Não acredito que Sócrates tenha suplicado, quer a Ferreira Leite, quer a Paulo Portas, a viabilização de um governo minoritário socialista para os próximos quatro anos.
Não acredito que, se isso acontecesse, Paulo Portas iria dizer ao seu eleitorado que tinha aceitado ajudar, aqui e ali, o governo P.S. a manter-se em funções.
Não acredito que Sócrates encare como única alternativa para governar com estabilidade uma aliança com o B.E. assim como não acredito que Sócrates concretize uma aliança com o P.C.P.
Acredito, isso sim, que todos os partidos têm interesse em fazer uma oposição responsável e que as negociações sobre a viabilidade deste ou daquele diploma, sejam mais morosas e difíceis.
Também acredito que Sócrates mais facilmente fará cedências a Francisco Louçã do que aos outros todos juntos, pois, convém não esquecer, que Manuel Alegre se recatou muito rapidamente, talvez a pensar nas próximas eleições presidenciais e que mais facilmente o B.E. deixará cair a taxação sobre as grandes fortunas do que o P.S.D. abandonar a sua posição sobre o t.g.v. ou o novo aeroporto de Lisboa ou o C.D.S. aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo