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1 de maio de 2012

A luta continua

Neste 1º de Maio, ficou bem patente a reação das pessoas relativamente aos sucessivos exageros dos governos, que pretendem refletir nos bolsos das pessoas as consequências das suas inconsequentes e desastrosas políticas, sem que, da parte deles, exista alguma vontade em responsabilizar os verdadeiros causadores da tempestade financeira que tem assolado as economias dos países ditos desenvolvidos. 
A atuação desses políticos é tão gravosa que põe em causa direitos que demoraram décadas a adquirir, como se de coisas sem grande importância se tratasse.
Perante esta preocupante realidade, interrogo-me de que maneira estão salvaguardados os nossos postos de trabalho e até que ponto aquilo que (cada vez mais) descontamos irá ser verdadeiramente utilizado em nosso benefício, a partir do momento em que deixarmos de fazer parte dessa massa de pessoas ativas que mantém as economias em movimento.
O lógico seria que, cada vez mais, as máquinas substituíssem os trabalhadores para que lhes fosse possível dedicarem mais tempo às suas famílias e aos seus prazeres. Mas, ao contrário do que seria de esperar, as máquinas servem para enriquecer quem as detém sem que desse lucro saia alguma parte para os que são dispensados. Pior, a parte que quem detém a propriedade dos meios de produção está disposto a dar aos dispensados é cada vez menor o que, naturalmente, só pode causar revolta e indignação. Por isso, mais do que nunca, todos têm que se unir contra as intenções criminosas de quem tem o poder de contratar e despedir trabalhadores, ao arrepio das mais básicas regras de convivência e respeito por aqueles que, todos os dias, olham para o prato dos filhos sem terem algo para neles colocar.
I

8 de dezembro de 2010

Supostamente




Sócrates vai reunir com os parceiros sociais para apresentar as propostas de alteração ao código do trabalho. Segundo o DN, os contratos de trabalho individuais, de empresa e sectoriais devem passar a incluir um ponto no qual se estabelece, de forma clara, que o salário do trabalhador depende directamente da sua produtividade ou da qualidade do seu trabalho. Até aqui tudo bem, ou não estivesse quem contrata preocupado com a qualidade do trabalhador a quem dá emprego.
A questão prende-se tão só com o facto de todos sabermos que, quem menos erra é aquele que mais beneficiado sai. Ora, partindo do princípio que, quem muito faz, muito erra, e quem pouco faz, pouco erra, só serão premiados aqueles que pouco se dedicam à função que desempenham e se limitam a fazer o minímo possível, garantida que está a qualidade do seu serviço. Por outras palavras, e antevendo a não subida do salário minímo nacional para os almejados 500 euros, aqueles que supostamente irão usufruir das alterações às regras laborais em vigor no nosso país, são os que menos se esforçam por desempenharem cabalmente as sua funções para que foram contratados, até porque têm que trabalhar de acordo com aquilo que lhes é pago, ou seja, uma miséria que deveria envergonhar qualquer entidade patronal. 

31 de março de 2010