22 de novembro de 2010

Dormindo com o inimigo

I
Eu até consigo compreender que, em muitas situações, o medo da solidão e do abandono ou a vergonha como são referidas nas pequenas comunidades em que vivem, leve muitas mulheres a terem que suportar as constantes agressões, perpetradas por aqueles com quem decidiram viver maritalmente. Sei que muitas vezes, os filhos, a falta de sítio para onde ir, a dependência económica, ou até mesmo a necessidade de ter alguém a quem chamem seu, é mais forte do que qualquer outra situação e fale mais alto nos momentos de desespero. Mas, o que eu não compreendo, e não consigo sequer aceitar é que, nos dias de hoje, ainda existam mulheres que se sujeitam a serem maltratadas por indivíduos sem escrúpulos que só delas necessitam para terem a roupa lavada e a mesa posta e, às vezes, um sítio para onde ejacular. Para além disso, lamento profundamente que, perante as agressões constantes de que são vítimas, muitas mulheres não possam contar sequer, com a denúncia de quem, ouvindo os seus gritos de dor e clemência, se refugia na máxima de que "entre marido e mulher, não mete a colher".

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