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27 de abril de 2011

Futuro adiado


O Tratado Shengen, aquele que permitia a livre circulação de pessoas no espaço europeu, poderá vir a ser alterado por forma a evitar que os novos emigrantes ilegais desembarquem aos magotes em solo europeu, à semelhança do que aconteceu com a Itália quando, de forma quase criminosa, e perante a impossibilidade de lidar com tal catástrofe humanitária, deu vistos de residência temporários aos tunisinos que a ele rumaram, fugindo da guerra que fustigava o seu país.
Com esta alteração, pretendem os Estados que a defendem, protegerem também eles as suas já frágeis economias, a braço que se encontram com a crise financeira que assolou todo o mundo e que ameaça destruir o bonito sonho em que, até aqui, todos os europeus se deixaram embalar, pensando que poderiam a todo o tempo evitar dividir as suas riquezas, muitas delas obtidas à custa da miséria daqueles que hoje partem em busca de um futuro melhor, tentando integrar um mundo onde, supostamente, todos têm a oportunidade de crescer, em total respeito pela sua dignidade, diferença e identidade, mas ao qual apenas alguns privilegiados têm acesso.

26 de janeiro de 2011

Preocupações ocidentais


Depois da Tunísia, aos poucos a revolução vai-se deslocando a todos os países governados com mão de ferro por governantes que conseguem garantir, a todo o custo, a estabilidade nos seus países, indo dessa forma ao encontro dos desejos do Ocidente.
Quer isso dizer que o poder desses supostos representantes do povo, se tem mantido graças ao incondicional apoio dos países democráticos do ocidente, pensado eles que só assim será possível manter o povo amordaçado por tempo indeterminado.
Claro que toda a opressão me indigna, que a falta de liberdade me choca e que todas as formas de limitar os direitos e as garantias dos povos me repugnam, daí que me solidarize com todos eles.
Porém, não me agradam alguns dos hábitos que caracterizam aquelas sociedades, elas próprias com costumes que subvertem todos os valores em que acredito, designadamente o lugar da mulher na sociedade ou o fanatismo religioso, os quais bem poderiam ser combatidos e erradicados do dia-a-dia dessas pessoas que, curiosamente, por medo, ou por convicção, apoiam essas manifestações extremistas, encetadas pelos grupos que se auto-intitulam defensores do Islão.
Há poucas horas, também no Líbano, um conhecido grupo islamista, foi eleito democraticamente, gerando quase de imediato uma onda se descontentamento junto das facções mais moderadas daquele país e por parte dos ditos países democráticos, e mais particularmente, por parte das autoridades israelitas.
Todo este levantamento popular, procura restituir ao povo o poder que lhes foi tirado por alguém que nele se conseguiu manter por tempo demasiado. A hora de ser o povo a decidir o seu destino terá chegado e depressa se tentam recuperar os anos perdidos, nem que seja à custa da eliminação da maior parte dos indícios da anterior governação. Temo que toda esta necessidade de afirmação, seja aproveitado por aqueles que encaram a presença ocidental naqueles territórios como uma realidade a afastar. Temo que os povos recém libertados, cedam o poder aos demagogos de um regime que apenas prometem o respeito pelo Corão, mas na parte em que legitima a jihad, como forma de combater tudo o que é ocidental e tudo aquilo que nele consideram infiel.