Foi aquilo que vi ontem no parlamento. Depois de acordarem com o governo a aprovação do orçamento, os deputados do maior partido da oposição, quase que se comiam uns aos outros, lançando todo o tipo de ignomínias sobre o primeiro-ministro e o ministro da justiça. É certo que o comportamento do governo em funções não tem sido um exemplo de transparência e seriedade, mas convenhamos que os parlamentares do PSD não estiveram à altura da responsabilidade que deram ao governo para continuar a exercer funções quando, horas antes, assinaram um acordo de princípio para viabilizar um orçamento que não era o deles.
Se por acaso tiveram que engolir algum sapo, pressionados pela necessidade de estabilidade, então não percebo porque é que depois, em sede parlamentar, criticaram as opções do governo e quase que deram o dito por não dito relativamente à tão almejada aprovação. Se as diatribes entre oposição e governo, protagonizadas pelos barões do PSD, se tornam frequentes nas reuniões parlamentares, então qualquer dia, só falta por-lhes uma corrente para que não saiam do lugar, tal é a fome de poder que têm.