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7 de abril de 2010

Os nossos Neros


Rangel acusou os sindicatos das magistraturas portuguesas de serem "centrais de gestão de informação processual" e de "passarem às escancaras, em cafés, aos jornalistas documentos de processos". A reacção dos representantes daquelas estruturas sindicais não se fez esperar e houve logo ameaça de que iriam processar Rangel por declarações insidiosas, como se o que se passou não correspondesse à realidade.
Não quero acreditar que isso aconteça ou sequer tenha acontecido porque, a ser assim, o meu conceito de Estado de Direito, onde todos sabem exactamente o lugar que devem ocupar, está perfeitamente enviesado. Custa-me a crer que parte das informações divulgadas pelos jornalistas sejam fornecidas por quem tem de o dever de as preservar intactas para não prejudicar, quer os envolvidos, quer a investigação. Essa promiscuidade só se justificará à luz de uma sociedade em que se premeia o mérito, a qualquer custo, mesmo que tal procedimento tenha como objectivo último o desacreditar das instituições que sustentam o Estado Democrático. Os protagonistas de situações dessas, não imaginam os danos que a sua descuidada actuação pode vir a trazer para o frágil equilíbrio das instituições. São jovens demais para quererem analisar a realidade através dessa perspectiva e vão com demasiada sede ao pote, pensando que pouco ou nada restará para eles. Alguma razão terá Marinho Pinto quando defende uma maior experiência de vida para aqueles que pretendem exercer a nobre função de julgar, só beneficiaria a imagem que a justiça deve ter junto da opinião pública.