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15 de fevereiro de 2011

O país que temos


Andaram anos e anos a trabalhar para que os seus filhos pudessem ter um canudo que supostamente lhes daria futuro melhor do que aquele que lhes foi reservado. Fizeram-lhes crer que a simples entrada no ensino superior era sinónimo de imediato sucesso profissional, dai muitos terem hipotecado tudo e mais alguma coisa para pagar os estudos do rebento. Concluída que foi a licenciatura, muitos até mudaram de designação e quase exigiram que os tratassem por doutores, quando apenas eram licenciados, cientes de que esse tratamento os iria colocar num lugar de destaque no meio onde viviam.
Depois de ultrapassado esse ambiente de esperança e euforia em que mergulharam durante as festas universitárias, foram confrontados com a realidade do mercado de trabalho em Portugal, e depressa chegaram à conclusão que, aquilo que lhes deram a troco de umas propinas exorbitantes, foi um grau académico correspondente a uma qualificação que o país não conseguia absorver, ou porque já não precisava, ou então porque nunca precisou. 
Agora, sem esperança alguma de encontrarem uma ocupação adequada à sua formação, fazem contas à vida sem saberem muito bem o que fazer, perante a necessidade de terem a sua independência económica e a frustração de terem que desempenhar aquelas funções de que  fugiram quando, ainda novos, decidiram apostar numa determinada qualificação, sem muitas vezes pensarem se essa seria a melhor opção ou talvez iludidos pela conversa de alguns que, na altura, a consideraram essencial para o crescimento do país e, por isso mesmo, atractiva aos olhos de quem teria que decidir o que fazer do seu futuro.