Andaram anos e anos a trabalhar para que os seus filhos pudessem ter um canudo que supostamente lhes daria futuro melhor do que aquele que lhes foi reservado. Fizeram-lhes crer que a simples entrada no ensino superior era sinónimo de imediato sucesso profissional, dai muitos terem hipotecado tudo e mais alguma coisa para pagar os estudos do rebento. Concluída que foi a licenciatura, muitos até mudaram de designação e quase exigiram que os tratassem por doutores, quando apenas eram licenciados, cientes de que esse tratamento os iria colocar num lugar de destaque no meio onde viviam.
Depois de ultrapassado esse ambiente de esperança e euforia em que mergulharam durante as festas universitárias, foram confrontados com a realidade do mercado de trabalho em Portugal, e depressa chegaram à conclusão que, aquilo que lhes deram a troco de umas propinas exorbitantes, foi um grau académico correspondente a uma qualificação que o país não conseguia absorver, ou porque já não precisava, ou então porque nunca precisou.
Agora, sem esperança alguma de encontrarem uma ocupação adequada à sua formação, fazem contas à vida sem saberem muito bem o que fazer, perante a necessidade de terem a sua independência económica e a frustração de terem que desempenhar aquelas funções de que fugiram quando, ainda novos, decidiram apostar numa determinada qualificação, sem muitas vezes pensarem se essa seria a melhor opção ou talvez iludidos pela conversa de alguns que, na altura, a consideraram essencial para o crescimento do país e, por isso mesmo, atractiva aos olhos de quem teria que decidir o que fazer do seu futuro.

2 comentários:
Caro Pedro, esse não é um problema somente de Portugal, mas creio até poderia dizer mundial. Aqui no Brasil, e olhe que o país é enorme comparado a nosso pequeno Portugal, a situação dos jovens formandos está na mesma. Temos milhares de jovens com seus canudos e sem emprego na própria área ou até em outras. Continuam então por imaturidade e dependência econômica dos pais que já se sacrificaram muitas vezes, a estudar, fazendo seus mestrados e doutorados que também acumulam títulos que não garantirão um bom emprego. Infelizmente sinto uma falha grande na administração dos próprios pais em não perceberem em tempo o talento de seus rebentos que muitas vezes nem tem talento para estudos e que poderiam ser ótimos profissionais noutras áreas profissionais, "consideradas" menos importantes, mas que os realizariam sobremodo.
Com exceção dos que se encontraram e levaram os estudos com muita responsabilidade, o restante dos jovens ainda precisam encontrarem-se em seus verdadeiros talentos ou vocação. Desculpe-me por parecer um pouco dura, mas é realmente o que penso. Abraço.
Então digamos que é uma questão de mentalidade,. Mais grave do que não ter nada é ter pobreza de espírito. Concordo com o facto de não ser Portugal o único país a debater-se com esses problemas. Esse será talvez o problema que actualmente mais afecta a nossa juventude. Mas o que mais me choca, é que, durante anos andaram-se a vender cursos de fácil acesso e de proveito nulo, e os papás, convencidos de que estavam a fazer algo de bom pelos seus filhos (e acredito que sim), deixavam-se embalar pela cantiga e nem sequer pensavam duas vezes, esquecendo-se que apenas os estavam a formar para o desemprego. Mas relativamente a essa questão ainda vá que não vá, porque para os pais, o melhor do mundo são os filhos. Mas quem mais culpa tem em toda a situação, é quem permitiu que se abrissem faculdades em qualquer esquina, a leccionar cursos em que à priori era certa a grande afluência, sem cuidarem de saber se o país deles precisaria, unicamente com o único objectivo de lucrarem com toda a anarquia entretanto gerada à volta do ensino superior. Hoje, aquilo que temos é o espelho daquilo que, durante décadas, permitimos que acontecesse. Seremos, eventualmente e tendo em conta o nosso tamanho, o país do mundo com mais licenciados desempregados por metro quadrado e sem que ninguém pague por ter provocado todas esta grande confusão.
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