Não fossem os milhares de votantes, agradados ou não com o rumo que as coisas levam no nosso país, os "Homens da Luta" nunca teriam tido uma noite como a que tiveram no Festival da Canção, ao ganharem o passaporte para representarem o nosso país, naquele que poderá ser considerado o festival mais soft da Europa ou até mesmo do mundo, isto é, politicamente correcto, com poucas ondas e onde as políticas dos Estados participantes não podem, nem devem, ser postas em causa. Ora, perante esta quase imposição de serem apenas aceites as músicas politicamente correctas, "A Luta é Alegria" poderá muito bem ser afastada daquele festival pelo simples facto de ser aquilo que é, e que os seus autores fazem questão de frisar, ou seja, uma "luta contra a reacção".
Para já, assiste-se ao surgimento de petições, a favor ou contra, cujo objectivo é alimentar ainda mais a polémica à volta de um assunto ao qual já se terá dado demasiada importância, mas que não deixa de ser o espelho do país que temos. De facto, se a organização portuguesa do festival, pretendia limitar as inscrições aos grupos que eram politicamente inócuos, tal como prevê o regulamento, então não permitiam a inscrição dos "Homens da Luta", uma vez que a postura com que normalmente se apresentam, não se encaixa no espírito daquele festival. Agora, aceitarem a inscrição, permitirem que actuassem em competição, assumindo as consequências dessa decisão, e agora andarem preocupados com o teor da música que vai representar Portugal é, no mínimo, surreal, para não dizer típico de um país totalmente desnorteado, onde o Povo continua a ser desprezado e a sua opinião ignorada.

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