Quando vejo alguém muito colado ao poder, muito bem posicionado, muito bem falante, muito lavadinho, muito disponível para assumir sucessivas nomeações para cargos onde, aparentemente, não devia estar, por nada ter a ver com a experiência profissional que têm, fico com a sensação de que, mais tarde ou mais cedo, irão ter que justificar as peripécias em que se meteram para conseguirem tão bons lugares dentro de empresas que, força de razão, permanecem sobre forte influencia do Estado.Claro que a simples sensação não será suficiente para, de imediato, concluir que existem de facto favorecimentos vários, deixando sempre aberta a possibilidade de tais ascensões meteóricas se deverem tão só ao indiscutível valor dos nomeados.
Porém, a realidade é outra. Neste país nada acontece por acaso e os exemplos de favorecimentos são inúmeros, sucedendo-se a um ritmo apenas comparado ao existente nos países em cuja democracia ainda não se encontra tão consolidada como em Portugal. Por isso, mais tarde ou mais cedo, aqueles que utilizam o cargo que ocupam para, supostamente, extorquir valores àqueles que necessitam dos seus favoráveis pareceres, são visitados pelo "braço armado da justiça", sentam-se naquele lugar onde todos os que não cumprem as regras vão parar e, muito provavelmente, vão andar de sessão em sessão, até à exaustão, a tentar provar que tudo não passou de um equívoco.
Sem comentários:
Enviar um comentário