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20 de junho de 2026

Conversas à portuguesa


Reconheço em António Costa, atual presidente do Conselho Europeu, uma capacidade inata para negociar os impossíveis, capaz de unir quem, aparentemente, não manifesta qualquer vontade de o fazer, daí que a sua mais recente manifestação de disponibilidade para abrir um canal de comunicação com o agressor russo não me tenha surpreendido, e até poderá representar o início de um futuro entendimento entre as partes beligerantes. Compreendo a posição de Macron e Merz, mas também não os vejo totalmente contra a iniciativa, até porque, também eles sabem, que tem de haver alguma resolução para o impasse que dura há demasiado tempo e já provocou milhares de vítimas.

A grande incógnita é saber se António Costa vai conseguir fazer-se ouvir por Putin, mas também ninguém alguma vez pensou que fosse capaz de criar uma "geringonça", nada comparável à crise entre a Ucrânia e a Rússia, mas demonstrativa de que, quando há vontade e disponibilidade para ouvir (e discutir) com, serenidade, as partes desavindas, sempre se consegue algum progresso e as cedências acabam por surgir naturalmente.

Só espero que nesse tão desejado encontro, se brinde com Vinho da Madeira, sempre, ou quase sempre, presente quando se tratava de selar importantes compromissos.

1 de outubro de 2015

Erros calculados


Claro que a Rússia apenas pretendia luz verde para começar a bombardear os inimigos de Bashar al-Assad, com o pretexto de que os visados eram os combatentes do Estado Islâmico. Se a comunidade internacional vai reagir a esse "erro de cálculo" não sei, mas que não vai ser capaz de travar o ímpeto belicista de um dos maiores aliados do ditador sírio, disso tenho a certeza.

29 de abril de 2014

Deixa-os poisar!


Eu só acho que o conflito na Crimeia, vai trazer muito mais vantagens à Rússia do que ao Ocidente. Sim, porque para além do Ocidente, também há o Oriente, muito mais amigo da Federação do que tudo o resto, com quem a Rússia pode privilegiar relações comerciais, bastando para isso, tão só, mudar o curso da tubagem que alimenta de gás a Europa. Portanto, quando Putin não «vê razão» para contra-atacar as sanções ocidentais, em reação às sanções impostas pela comunidade internacional, é porque tem a certeza de que a Rússia é quem menos necessita desta dependência energética e, se calhar, económica.

30 de julho de 2012

Sempre quero ver até onde vai a tolerância de Putin


Estas três meninas subiram ao altar de uma Igreja Ortodoxa Russa para contestarem o apoio a Putin. Foram de imediato detidas e, à boa maneira russa, encontram-se em prisão desde março, estando neste momento a ser alvo de um julgamento que lhes pode custar uma pena de prisão que pode ir até aos sete anos. 
Não tenho dúvidas que uma condenação em pena de prisão será demasiado dura, tanto mais que se tratam de jovens, cujo o objetivo de se manifestarem daquela forma, não passou de um ato próprio da juventude, irreverente face à sufocante presença do Estado. Seja como for, espero que a ousadia fique resolvida com uma veemente repreensão, quiçá reforçada com trabalho comunitário, pois não há-de ser por isso que Putin fica na história da Rússia moderna. Contudo, convém não esquecer que no maior país do mundo, nunca será fácil aceitar semelhante comportamento, até porque, com essa atitude, abrem-se portas a outras evitáveis veleidades. 

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