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2 de março de 2010

Nunca sob anonimato


Independentemente da importância da coisa e da necessidade de a desvendar, certo é que, apesar de parecer mais fácil dizê-la, ou escrevê-la, sou da opinião que toda a denúncia deve ter uma face não oculta
Isto de uma pessoa ter que se defender contra alguém que não se identifica, poderá atingir proporções preocupantes, sobretudo num sistema judicial onde a prova é soberana, e muito bem, nada havendo a fazer quando ela é pobre e infundada, apesar de, independentemente da sua qualidade, poder tirar horas de sono aos visados. Por assim dizer, corremos o risco de voltar ao tempo em que uma simples denúncia, por muito infundada que fosse e sem que a fonte  fosse minimamente credível, pudesse prejudicar muito a vida deste ou daquele cidadão que, em determinado dia, foi confrontado com uma picardia sem consequências aparentes. Basta que esse alguém tenha vontade de contra ele forjar uma qualquer situação menos legal, para que de imediato surja uma suspeita e um consequente inquérito judicial. Perante tais acusações, mais não resta ao denunciado utilizar todas as armas, que pode e que tem ao seu dispor, para tentar desmontar toda a  falácia contra ele urdida, sem que haja garantia alguma de sair ileso de toda a situação. Perante tão dura e cada vez mais comum realidade, fica a esperança de que as pessoas sejam coerentes e não explorem em demasia as fraquezas de um sistema há muito necessitado de ser revisto e modificado. Enquanto não se conseguirem corrigir os defeitos de um mecanismo criado pelo homem, e pejado com as suas imperfeições, nunca poderá haver culpados e inocentes, apenas intervenientes descontentes, quer estejam no lado bom ou no lado mau de uma realidade que em muitos casos nada fizeram para participar.