Até há bem pouco tempo, as mulheres só abortavam por capricho, violação ou malformação do feto. Agora, para além dos motivos referidos, o desemprego tornou-se num outro motivo para que os números de interrupção de gravidez tenham aumentado exponencialmente no nosso país. Dito isto, fico com a ideia de que ninguém está na disposição de trazer filhos ao mundo sem que existam garantias de que eles podem viver sem sacrifícios. A pensarem assim, e sem que do Estado haja um sinal de que as condições vão melhorar, cada vez mais caminhamos para uma sociedade onde apenas os mais favorecidos poderão viver e, por consequência, onde não haverá lugar para os pobres, ao contrário da sociedade que os nossos avós nos deixaram onde, apesar da fome, raros eram aqueles que não tinham uma prol de filhos.
