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10 de maio de 2011

O bom e o mau governante



Os insulares podem saltar de alegria, pois têm governantes que tudo fazem para lhes agradar. Todos se recordam de Carlos César quando, ao contrário do adoptado no Continente, decidiu não penalizar os funcionários públicos com os cortes salariais. Já Jardim usou recentemente sete milhões de euros, de uma empresa pública falida, para construir um campo de golfe, alegando que o mesmo se enquadra no Plano de deesenvolvimento Económico e Social da Região Autónoma da Madeira para o período 2007-2013.
Apesar de ambas as medidas serem contestadas, quer pelos portugueses do continente, quer por alguns insulares mais descontentes, certo que é que as economias de um e de outro arquipélago, conseguem proporcionar aos seus habitantes, um nível de vida invejável, se o compararmos com o nosso.
Muitas são as razões que nos levam a achar que não pode haver dois pesos e duas medidas, no que diz respeito ao contributo de cada um para amenizar a crise. Aí coloca-se a velha questão, exaustivamente debatida, acerca de uns serem portugueses de segunda e outros de primeira. Quanto a isso, apenas me ocorre o seguinte: Se para se manter no poder, um qualquer governante pode lançar mão a um sem número de dispositivos legais que lhe permitem, artificialmente ou não, manter os eleitores satisfeitos, então que os utilize a seu bel-prazer, porque a Lei assim o permite. Se, por outro lado, tal governante, na tentativa de seduzir o "seu" eleitorado, vai para além do legalmente admissível, então que seja penalizado por tal, à luz das normas de que dispomos para desincentivar esse comportamento. Resta-me agora uma dúvida. Quer num caso, quer no outro, poucos, ou nenhuns, foram os governantes que experimentaram os calabouços pela forma danosa com que administraram os dinheiros públicos. O que se tem verificado é exactamente o contrário. Saem dos tribunais de braço dado com o Povo que os elegeu e que os mantém no poder, o que me leva a pensar no desperdício de tempo que é tentar a condenação de um político eleito só porque, no exercício das suas funções, actuou em benefício do nível de vida daqueles que o elegeram, mesmo com recurso a dinheiros que ele próprio não sabe, ou não quer saber, de onde vem, mas que num ápice sabe muito bem para onde vai.

5 de dezembro de 2010

Dias não



Na Costa do Marfim, um derrotado nas urnas, decide manter-se como presidente de um país que governa há vinte anos.
Em Itália, 8 ciclistas são atropelados mortalmente por um condutor louco, sob efeito de estupefacientes.
Em Israel, num incêndio de que não há memória, perderam a vida 41 pessoas e já arderam 5 mil hectares de floresta.
Por cá, nos Açores, em Fajãzinha, ilha das Flores, uma derrocada desalojou 81 pessoas, que permanecem isoladas devido a mau tempo que assola aquele arquipélago.
Por maioria de razão, deveria estar mais solidário com os nossos compatriotas. Contudo, a gravidade de cada uma das situações, coloca-me ao lado deles todos, desejando um rápido restabelecimento da normalidade.

3 de dezembro de 2010

Regras de excepção


Excepcionalmente, o governo português decidiu voltar atrás nos cortes de 15 por cento que havia decidido fazer nos custos operacionais dos hospitais EPE, não por falta de solidariedade com os demais portugueses afectados pelas medidas de austeridade, mas tão só porque alegadamente esses cortes prejudicariam o funcionamento daqueles estabelecimentos hospitalares. Ao mesmo tempo, mas mais para o meio do Atlântico, o governo regional dos Açores decidiu compensar os funcionários públicos daquele arquipélago em igual montante ao que lhes for retirado por via da aplicação dos cortes salariais impostos para o ano de 2011 a todos os funcionários  do Estado, que aufiram montantes superiores a 1500 euros mensais.
São bonitos estes gestos compensatórios da administração central e regional do Estado. Numa altura em que  são pedidos sacrifícios a todos os portugueses, é sempre bom saber que, apesar da crise, ainda existem alguns que conseguem  preservar incólumes os seus rendimentos, um pouco na linha  seguida pela União Europeia, em que alguns estados membros são mais beneficiados que outros, em função da  perícia com  que executam o seu orçamento.