Os insulares podem saltar de alegria, pois têm governantes que tudo fazem para lhes agradar. Todos se recordam de Carlos César quando, ao contrário do adoptado no Continente, decidiu não penalizar os funcionários públicos com os cortes salariais. Já Jardim usou recentemente sete milhões de euros, de uma empresa pública falida, para construir um campo de golfe, alegando que o mesmo se enquadra no Plano de deesenvolvimento Económico e Social da Região Autónoma da Madeira para o período 2007-2013.
Apesar de ambas as medidas serem contestadas, quer pelos portugueses do continente, quer por alguns insulares mais descontentes, certo que é que as economias de um e de outro arquipélago, conseguem proporcionar aos seus habitantes, um nível de vida invejável, se o compararmos com o nosso.
Muitas são as razões que nos levam a achar que não pode haver dois pesos e duas medidas, no que diz respeito ao contributo de cada um para amenizar a crise. Aí coloca-se a velha questão, exaustivamente debatida, acerca de uns serem portugueses de segunda e outros de primeira. Quanto a isso, apenas me ocorre o seguinte: Se para se manter no poder, um qualquer governante pode lançar mão a um sem número de dispositivos legais que lhe permitem, artificialmente ou não, manter os eleitores satisfeitos, então que os utilize a seu bel-prazer, porque a Lei assim o permite. Se, por outro lado, tal governante, na tentativa de seduzir o "seu" eleitorado, vai para além do legalmente admissível, então que seja penalizado por tal, à luz das normas de que dispomos para desincentivar esse comportamento. Resta-me agora uma dúvida. Quer num caso, quer no outro, poucos, ou nenhuns, foram os governantes que experimentaram os calabouços pela forma danosa com que administraram os dinheiros públicos. O que se tem verificado é exactamente o contrário. Saem dos tribunais de braço dado com o Povo que os elegeu e que os mantém no poder, o que me leva a pensar no desperdício de tempo que é tentar a condenação de um político eleito só porque, no exercício das suas funções, actuou em benefício do nível de vida daqueles que o elegeram, mesmo com recurso a dinheiros que ele próprio não sabe, ou não quer saber, de onde vem, mas que num ápice sabe muito bem para onde vai.


