A questão dos pepinos infectados, mais uma a juntar às outras que também já afectaram alguns dos alimentos que (mais) consumimos, pode ser olhada por diversos prismas. Pelo da produção; Pelo de quem efectuou o transporte ou o armazenamento; Pelo da comercialização e, por último, pelo de quem considera ameaçadora a produção de pepinos espanhóis.
Os primeiros juram a pés juntos não serem os causadores de tal infecção. Os segundos apenas transportaram o produto, não encontrando por isso, motivos que levassem a desconfiar de que estaria ali a sua origem. Os terceiros também não seriam, a menos que conhecessem, os responsáveis pela difusão da infecção. Os quartos, se é que existem, poderiam ser, mas duvido que fossem, ou que existam, porque esta crise afecta todos os pepinos nascidos no espaço comum europeu.
Para o consumidor final, não haverá muita diferença entre uns e outros, a não ser que fossem todos etiquetados, mas mesmo assim não seria de excluir a possibilidade de haver um ou outro funcionário mais atrevido que, por sacanisse ou brincadeira, se entretesse a mudar as etiquetas, tipo o ajudante de farmacêutico a furar os preservativos com um alfinete.
Ora, perante as hipótese e depois de escalpelizada a culpa, muito difícil será descobrir exactamente quem são os verdadeiros responsáveis, que não nós, até porque isso colocaria milhares de pessoas sob suspeita, o que seria completamente impossível de concretizar, tendo em conta a dimensão do espaço onde isso teria que ocorrer. Seja como for, não é novidade que estamos cada vez mais sujeitos a esses e outros tipos de infecções. É um risco que teremos que aceitar, por um lado, por ser extremamente difícil controlar o percurso dos alimentos desde a produção ao consumo final e mais difícil ainda quando se trata de produtos que se consomem sem serem cozinhados e por outro, nem todos temos a possibilidade de cultivarmos uma horta com os produtos que comemos.
Perante esta dura e triste realidade, não nos resta senão evitarmos consumir tudo aquilo nos apresentam como saudável, fresco e agradável. Para nosso contento, devemos procurar (?) confiar nas autoridades que, apesar do óbvio desnorte, ainda assim vão conseguindo actuar de forma a alertar os consumidores para os perigos de consumirmos este ou aquele produto. Quanto aos outros (os dos quatro prismas), devem preocupar-se, não tanto com o lucro, mas mais com a qualidade daquilo que vendem, pois só assim conseguem livrar-se da fama, pois do proveito não se livram eles.
1 comentário:
Uma das soluções é um êxodo citadino.
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