Se o Estado não necessitasse urgentemente de dinheiro, não estaria tão preocupado em acelerar a cobrança das multas de trânsito.
De 3 meses, passou para 5 dias o tempo de processamento da contra-ordenação, muito a custo de um investimento em tecnologia adequada à função. O resultado mais imediato de tal "evolução" traduz-se na libertação de mão-de-obra para outros departamentos das polícias onde, porventura, o efectivo é mais necessário.
Na prática significa que a máquina é muito mais eficaz do que o homem, coisa que já se sabia, e ainda por cima que não se queixa, não recebe ordenado, não tem férias nem família o que muito satisfaz quem tem que se preocupar em pagar essas despesas, na certeza de que, a partir dali, não voltarão acontecer. Esse é aliás o objectivo final de quem dedica a sua vida a ganhar cada vez mais dinheiro, sem cuidar da estabilidade social e emocional dos seus trabalhadores e dos seus familiares. A vã tentativa de combater o desemprego, esbarra na necessidade de, cada vez mais, sermos obrigados a dependermos da tecnologia, usando-a como muleta para vivermos nesta sociedade em que apenas se valoriza o produto final, a forma como se apresenta e aquilo que para o todo representa.
Dúvidas não há relativamente à necessidade de haver quem compre aquilo que outros vendem. Só assim se compreende um sistema cujo principal motor é o mercado e as trocas que gera. Se todo ele entrar em colapso, o que obviamente não se deseja, todos procurarão a tal estabilidade que só a tranquilidade social proporciona e o dinheiro consegue comprar. Enfrentarão todos os desafios para não perderem direito que têm à dignidade que, constitucionalmente, lhe é reconhecida.
Prevendo isso tudo isso, não acho que a supressão de mão-de-obra, a troco do aumento de produtividade e do crescimento dos lucros, seja um caminho a seguir. Torna-se necessário reflectir acerca da velocidade com que queremos libertar o ser humano do trabalho que o prende mas ao mesmo tempo liberta.
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