20 de junho de 2026

Conversas à portuguesa


Reconheço em António Costa, atual presidente do Conselho Europeu, uma capacidade inata para negociar os impossíveis, capaz de unir quem, aparentemente, não manifesta qualquer vontade de o fazer, daí que a sua mais recente manifestação de disponibilidade para abrir um canal de comunicação com o agressor russo não me tenha surpreendido, e até poderá representar o início de um futuro entendimento entre as partes beligerantes. Compreendo a posição de Macron e Merz, mas também não os vejo totalmente contra a iniciativa, até porque, também eles sabem, que tem de haver alguma resolução para o impasse que dura há demasiado tempo e já provocou milhares de vítimas.

A grande incógnita é saber se António Costa vai conseguir fazer-se ouvir por Putin, mas também ninguém alguma vez pensou que fosse capaz de criar uma "geringonça", nada comparável à crise entre a Ucrânia e a Rússia, mas demonstrativa de que, quando há vontade e disponibilidade para ouvir (e discutir) com, serenidade, as partes desavindas, sempre se consegue algum progresso e as cedências acabam por surgir naturalmente.

Só espero que nesse tão desejado encontro, se brinde com Vinho da Madeira, sempre, ou quase sempre, presente quando se tratava de selar importantes compromissos.

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