30 de dezembro de 2010

O que é que cada um pode fazer pelo país?


Foi por demais evidente, a simpatia de Cavaco Silva por economia livre e aberta, em simbiose quase perfeita dos interesses do Estado com a eficácia dos privados. Manuel Alegre defendeu intransigentemente o estado social e a sua contribuição inequívoca para a manutenção da estabilidade, dando sempre prioridade ao respeito pelos princípios que norteiam um Estado que se pretende eficaz, responsável e coerente na prossecução das funções públicas.
Quanto a Cavaco, não se antevêem grandes dificuldades na concretização das suas políticas porque, em tempo de vacas magras, é importante que um país mantenha um mínimo aceitável de actividade empresarial, que só subsistirá, nos dias que correm, com o recurso a cada vez maior as cortes nas regalias dos seus trabalhadores.
Manuel Alegre, defende como pode o seu ideal de socialismo, ora pendendo para a esquerda mais dura do Bloco, ora para a esquerda light do  PS. As suas ideias são nobres e bastante úteis para prevenir convulsões entre classes e para manter a dignidade do povo um pouco mais afastada das ruas da amargura. É um óptimo projecto de Estado este defendido pelo candidato Alegre, mas será ele realmente exequível, ainda por cima numa altura em que, cada vez mais se pedem sacrifícios a quem por norma já é sacrificado e que se vê obrigado a trocar o seu trabalho pela quase esmola do patrão?
Precisamos, tanto de um como de outro, mas todos sabemos que, por muitas boas intenções que abundem nos seus programas, nenhum deles se poderá substituir a quem governa efectivamente.

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