12 de novembro de 2010

Mais óbvio é impossível


Se as eleições fossem hoje, o PSD ganharia ao PS, como um diferença de 5 pontos percentuais, segundo uma sondagem feita para o Expresso. É uma diferença esperada, tendo em conta o desempenho político do partido do Governo e, partindo do princípio que o eleitorado flutuante se situa ao centro de espectro político e, por isso mesmo, ora dá a vitória a um ora dá a vitória a outro. No fundo, é um baralhar para dar de novo, tendo em conta que o poder, desde o 25 de Abril de 1974, é sempre exercido pelos mesmos.
O que eu preferia que as sondagens mostrassem, era que a abstenção, finalmente, baixava para os 2 por cento do eleitorado e que os partidos do centro sairiam bastante penalizados por, durante cerca de 30 anos, se terem escusado a fazer de Portugal um país onde fosse agradável viver e onde governantes e governados, se esforçassem por serem responsáveis pelo seu desenvolvimento, sendo que aos primeiros caberia exercer o poder democraticamente alcançado, em benefício de todos portugueses.
Enquanto os que se abstêm, considerarem que, pelo facto de não votarem, estão a mostrar um cartão vermelho aos políticos, estão redondamente enganados, porque assim, só permitem que os tais que dizem querer penalizar, são aqueles que nunca de lá saíram, lá permaneçam. E porquê? Porque são os únicos com capacidade para manter um eleitorado fiel, mesmo sabendo que para que isso aconteça, se torna necessário, deixarem-se corromper, abusarem do poder e, na altura certa, darem aos boys os jobs, para que, pelo menos, nas famílias a que pertencem, terem o voto garantido. Perante isto, só me resta dizer que a abstenção, essa sim, é a melhor oposição, e melhor ainda seria se não existisse, pois permitiria que houvesse uma verdadeira mudança de política, e de políticos, em Portugal.

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